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Wednesday, 19 October 2011

Alemanha Derruba Tabu Nacional e Leva Adolf Hitler às Telas (Ilustrada)

Posted on 01:32 by Unknown
São Paulo, quinta-feira, 26 de agosto de 2004


Sessenta anos após o fim do nazismo, país encena o Führer, no filme "Der Untergang"; Bruno Ganz faz o papel


CINEMA
JOSÉ GALISI FILHO
FREE-LANCE PARA A FOLHA, DE BERLIM

O ator Bruno Ganz, 63, encarna o mal absoluto no papel de Hitler em seus últimos dias no "bunker" em Berlim, em abril de 1945.
Sessenta anos depois do colapso do regime nazista, o cinema alemão derruba um último tabu: interpretar o papel do Führer.
"Der Untergang - Hitler und das Ende des 3. Reichs" (O declínio -Hitler e o fim do Terceiro Reich), uma superprodução de 14 milhões, estréia na Alemanha em 16/9 (no Brasil não há previsão). Com direção de Oliver Hirschbiegel ("Das Experiment"), o filme tem roteiro de Bernd Eichinger, e é baseado no livro homônimo de Joachim Fest, um dos principais biógrafos de Hitler, e nos depoimentos da secretária particular de Hitler, Traudl Junge.
Rodado em São Petesburgo, Munique e Berlim, a produção já vem despertando uma acirrada polêmica: o risco de protagonizar, com realismo e distância histórica, Hitler na escala humana de sua demência individual e não como mito na figura de Ganz (de "Asas do Desejo").
"Este foi o capítulo mais traumático da história alemã, e temos hoje a distância necessária para evocá-lo pelo nome próprio", declarou Eichinger na coletiva de imprensa em Berlim.
"O filme não se limita apenas a Hitler, mas aborda, sobretudo, o absurdo dessa luta final e o sofrimento da população civil na batalha de Berlim. É nessa precipitação dos fatos que se condensa a essência da loucura do regime."
O filme é narrado da perspectiva de Junge (Alexandra Maria Lara), no contraste entre o espaço do "bunker", onde Hitler se casaria com Eva Braun (Juliane Köhler) antes de suicidar-se, e as cenas de batalha de rua.
Diante do Exército Vermelho a poucos metros da Chancelaria, Hitler despede-se de seu arquiteto, Albert Speer (Heino Ferch), afirmando que "permanecerá no palco até cair a cortina".
Eichinger procurou contrapor e desmistificar a auto-encenação do regime com realismo. "Buscamos atingir o máximo de realismo. Mas esse realismo somente pode ser um realismo dramatúrgico que se fixa no desenrolar brutal dos acontecimentos. Não foi preciso acrescentar muito a isso, pois eles são em si mesmos impregnados pela loucura."
Contra o risco do "kitsch e do melodramático", disse: "Não se trata de um filme de identificação no sentido clássico do termo, mas sobre a fascinação do colapso". Rebatendo as críticas do risco do material tornar-se objeto de culto para neonazistas, acrescentou que, embora existam "momentos de identificação", trata-se de apresentar ao público os fatos, "sem moralizar" uma história até hoje "reprimida", cujas testemunhas reais já desapareceram, e que a cada dia se torna mais fantasmagórica diante de uma nova forma de terrorismo suicida.
Ganz, cuja semelhança física com Hitler é perturbadora -ambos têm quase a mesma idade-, acrescentou que não se trata de uma "identificação" com a personagem, mas de perceber, ao contrário, seu "vazio humano absoluto" no momento final de sua auto-encenação, no espaço claustrofóbico de um ciclo de loucura social que se encerra.
"Tive de procurar este mal em mim mesmo." Ganz pretende desmontar os "clichês demoníacos" e entender que forma de "histeria coletiva" levou milhões de pessoas a se identificarem com uma figura tão banal, como o "culto atual aos pop stars".
Uma das cenas mais marcantes do filme é a reconstrução da última aparição pública de Hitler, cumprimentando com mãos trêmulas pelo mal de Parkinson, crianças que lutariam no "Volkssturm". Claustrofobia e loucura são temas recorrentes no cinema de Eichinger, que desconstruíra o mito do RAF (grupo terrorista dos anos 70) em "Todespiel" (1997), num misto de documentário e ficção, ao iluminar os bastidores do seqüestro e morte de Hans Martin Schleyer, em 1977.
Na esteira de "Der Untergang", o cinema alemão vem recuperando o Terceiro Reich como filão. No próximo ano, estréia um outro filme sobre Speer, do diretor Heinrich Breloer ("Speer e Ele").
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